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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Consensualidade e abuso

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Se você é mais detalhista, deve ter percebido que surgiu um novo botão na coluna aqui ao lado ------------------------------------->

Como todos sabem, a situação tá braba e escrever textos gasta um bom tempo (alguns podem levar mais de uma semana!) Então, se você gosta do blog (e acha que eu mereço), pode fazer uma doação e me ajudar a continuar postando e trazendo conteúdo de qualidade.



Recentemente veio à tona um relato de abuso por parte de um grande nome do shibari internacional. Debates infinitos surgiram a partir deste relato, bem como diversas acusações sobre a mesma pessoa e sobre outros. A comunidade internacional do BDSM, especialmente ligada às cordas está em polvorosa e uma discussão tremenda se mantém numa dicotomia do "calma, veja bem" X caça às bruxas". Isto me alertou para o fato de que consentimento é algo ainda bastante repetido, mas pouco debatido no nosso meio e, por mais que quase ninguém todos tenham uma boa noção do que isso significa, as opiniões sobre como se obter e dar consentimento, bem como mantê-lo e retirá-lo, são absurdamente discrepantes.

É bastante comum - e bem fácil de notar - atos de quebra de consentimento em festas, onde um indivíduo importuna constantemente outra pessoa para que alguma prática seja feita. Aqui no RJ, podólatras são alvos constantes de reclamação quanto à isso, tanto por Tops quanto por bottoms, e a própria comunidade podo sabe disso e os que são sérios e respeitam o consentimento costumam (ou pelo menos tentam) afastar os pentelhos do meio. Mas, infelizmente, isso não é exclusividade dos podos e pode ser notado em Tops e bottoms em grande quantidade.

Provavelmente alguém que você conhece, ou até mesmo você que está lendo, pode ter cometido alguma quebra de consentimento (espero que) sem querer.

Que os deuses nos ajudem. Vamos lá?


O QUE É?


Segundo o Dicionário Priberam

con.sen.ti.men.to
(consentir + -mento)
substantivo masculino
1. Ato ou efeito de consentir.
2. Manifestação que autoriza algo. = AUTORIZAÇÃO, LICENÇA, PERMISSÃO
3. Manifestação a favor de algo ou alguém. = ADESÃO, ANUÊNCIA, APROVAÇÃO
4. Tolerância.
5. Acordo ou conformidade de opiniões (ex. mútuo consentimento). = CONSENSO
6. Ordem

con.sen.tir
verbo transitivo
1. Dar Licença
2. Permitir.
3. Tolerar.
4. Admitir. 
verbo intransitivo
5. Dar consentimento.
6. Concordar.
7. Anuir.


No BDSM, consentimento é o ato de uma pessoa permitir que uma outra pessoa tenha ações ou relações de algum tipo com ela.
É um acordo expressivo e indubitável entre as partes quanto às ações, termos e condições do que será (ou poderá) ser feito. Em grande parte do mundo e em basicamente todas as instâncias, consentimento é a barreira que separa liberdade pessoal de atos passíveis de punição legal.

Consentimento Informado é algo bastante falado também. O termo é baseado na medicina atual, onde um paciente, sendo detentor dos direitos sobre o próprio corpo, informa, através de assinatura, em um documento, que autoriza que um ou mais procedimentos sejam feitos. No BDSM, o consentimento informado pode ocorrer tanto verbalmente quanto na forma escrita, no famoso contrato de negociação.

No consentimento informado, pressupõe-se que a autorização (para que práticas X ou Y sejam feitas) é mediante informação e conhecimento sobre tudo aquilo que pode decorrer da prática, incluindo seus riscos e possíveis sequelas. No baunilha, estados mentais alterados ou incapacitados impedem que o consentimento seja aceito, sendo este requerido de um parente próximo ou responsável legal. No BDSM, podemos considerar que uma pessoa sob forte influência de álcool e entorpecentes não tem a capacidade completa de oferecer consentimento completo, assim como quem tenha alguma condição mental/psíquica que seja restritiva (e, portanto, é mais inteligente evitar práticas com quem esteja nessas condições).

Um conceito relativamente pouco explorado, mas que ocorre subconscientemente, é o de Consentimento Contemporâneo, que trata do quando o consentimento foi dado e de que maneira é retirado. Legalmente, quando alguém diz "chega!", "pare!", "não", o consentimento foi retirado e, qualquer coisa além disso, se torna algum tipo de abuso, sendo o parceiro obrigado a interromper imediatamente a prática. No BDSM, dada a natureza conflitante das relações e das práticas com o modus operandi "normal", estas palavras costumam não ter este efeito e são substituídas por safewords. Além disso, este conceito vai de encontro a conceitos de TPE e Não-consentimento Consensual (o ato de dar consentimento prévio para uma prática onde as reações serão de fuga, desespero ou tentativas de evitar, como Rape play, por exemplo).



Importância do Consentimento e da Comunicação


Consentimento e comunicação são importantes por alguns fatores. Um deles é a chance de vivenciar uma experiência agradável desejada por ambas as partes.
Outro fator é que ninguém reage à dor, torções, privações, ou até mesmo a palavras da mesma forma que o outro. Uma situação insuportável para alguém pode ser a fagulha que incendeia a floresta dos prazeres de outra pessoa.

Quando as informações verbais são omitidas, é muito fácil para a outra pessoa cometer um erro e ultrapassar limites desconhecidos e desrespeitar o consentimento.

Mas e o consentimento implícito? Ele existe, pô!
Sim, existe. Mas é necessária uma enorme quantidade de tempo e conhecimento mútuo antes de presumir que aquela pessoa deseja que alguma coisa aconteça ou que pare de acontecer. E, ainda assim, interpretações erradas podem ocorrer. Seu parceiro pode estar num dia ruim, ter dormido mal, ter se alimentado mal/ter comido demais, se for mulher, pode estar na TPM, menstruada, pode estar em uma flutuação hormonal aleatória, enfim, dúzias de possibilidades que alteram o estado físico e mental, e tudo isso pode mudar a sensibilidade e as reações daquela pessoa naquele dia.

No consentimento implícito é bem comum presenciar uma dupla ou um casal de longa data que não sente a necessidade de pedir permissão para se tocarem ou se beijarem, mas isso vem de um longo processo de discussão e conversa, onde este consentimento constante foi dado. 

No entanto, presumir um consentimento implícito com parceiros casuais pode ser extremamente problemático, visto que o consentimento que foi dado ontem pode não ser válido para hoje ou amanhã.



Até onde a humanidade sabe, ninguém é realmente capaz de ler pensamentos de outras pessoas, então respeite a si mesmo e aos outros, e não coloque ninguém - ou não deixe te colocarem - em uma situação de desconforto real, ou em uma experiência indesejada.

Chacrinha já tinha dado o recado há muito tempo atrás.


Por que pedir consentimento?


Partindo do ponto de que o consentimento é de extrema importância para o bom andamento de um relacionamento (ainda que este dure apenas alguns minutos), obter o consentimento explícito daquela pessoa é a garantia de que, pelo menos até certo ponto, você poderá praticar com ela. Ou você é o Professor Xavier e sabe o que ela quer ou não?


O único cara que sabe se ela quer mesmo ou não.
(Eu sei que tem outros, mas você me entendeu)



Como pedir o consentimento?


Esta é a hora crucial. Você já sabe tudo sobre consentimento, sabe fazer super bem as suas práticas, deu de cara com aquela pessoa e...! Como você vai abordá-la(o), e/ou agir mediante uma abordagem e propor fazer uma prática com você? Bom, particularmente, essa é provavelmente, a parte onde eu mais falho. Sempre fui péssimo em abordar alguém, pelo motivo que fosse. Nunca fui bom sequer em chegar em alguém na noitada. Sinceramente, não entendo como não sou BV até hoje, porque, se eu chegasse em mim, me dava um toco. hahahahahahhhaaha

Mas enfim, vamos deixar esse detalhe trágico da minha vida pra lá e vamos à maneira ideal de abordagem, conversa e negociação de uma prática com alguém.

Sr. FoDom é pica das galáxias em Escolha-Sua-Prática-Ideal-Play (vamos chamar de ESPIP pra facilitar).
SubEntendida gosta bastante de ESPIP e sempre achou o Sr. FoDom muito interessante.

Aqui nós veremos como a SubEntendida vai pedir pra praticar com FoDom, mas a conversa serve pro lado contrário tb. 


S: Olá, Sr. FoDom, podemos conversar um pouquinho? 
F: Claro! o que deseja?
S: Eu estava observando [insira pronome de tratamento preferido] ali e gosto muito do seu jeito de fazer ESPIP. 
F: Ah, obrigado!
S: Então... Eu adoro ESPIP e me disseram que você é muito bom nisso. Eu estava pensando se seria possível vc fazer ESPIP comigo... 
F: Podemos sim, mas precisamos conversar antes sobre alguns detalhes pessoais, tudo bem pra você? 
S: Claro! 
F: Você tem ciência de que ESPIP pode causar [insira todos os riscos possíveis e imagináveis da sua prática escolhida]? 
S: Sabia disso e disso, mas daquilo e daquilo outro eu não fazia ideia! Mas confio em você e topo correr esse risco.  
F: Você faz uso de alguma medicação? 
S: Só [nome-estranho-ina] para [blablabla], mas já uso há X tempos e meu organismo está acostumado Então, sem problemas pra ESPIP. 
F: Ah, que bom! 
F: E você já teve algum acidente, alguma lesão, fratura? Sua pressão é estável? [Insira todas as perguntas de saúde necessárias, por mais irrelevantes que pareçam] 
S: Eu quebrei a perna bem aqui, ó. Há uns 10 anos atrás. Minha pressão é estável, mas se eu não comer por muito tempo, ela cai fácil. Eu tenho alergia a [X, Y, Z] e to com uma dorzinha aqui no pescoço, pq dormi meio mal essa noite. 
F: Entendi. Bom, a fratura provavelmente já cicatrizou bem... 
S: Já sim! Eu até faço aulas de jump na academia sem problemas! 
F: Ah que maravilha! Então vamos ver... Você trouxe seu anti-alergênico? 
S: Sim, está ali na minha bolsa. Posso pegar se quiser. 
F: Não precisa pegar não. Essa dorzinha no pescoço pode ser um problema, mas podemos fazer ESPIP de um jeito mais light pra evitar essa região. 
S: Oba! 
F: Você se alimentou bem hoje? 
S: Sim! Lanchei umas 2 horas atrás. 
F: Ok. Eu gosto de praticar ESPIP de um jeito [sensual, erótico, bruto, impessoal]. Tudo bem pra você? 
S: Claro! É por isso mesmo que quero fazer ESPIP com o senhor! 
F: Ótimo! E tem alguma coisa que eu não posso fazer, ou algum lugar que não posso tocar? 
S: Não, pode tocar onde quiser. Eu só gostaria de ficar pelo menos de calcinha.  
F: Perfeito! Eu estou pensando em começar fazendo X e daí vamos vendo como a coisa flui e vamos conversando durante a prática pra ver se progredimos ou não, tudo bem pra você? 
S: Melhor impossível! 
F: Tem alguma safeword preferida ou podemos manter o clássico amarelo e vermelho? 
S: O clássico está ótimo. 
F: Beleza! Vamos lá então? 
S: Vou só fazer xixi e encontro o senhor ali na área da prática, tudo bem? 
F: Ok, estou te esperando!


É um tanto quanto óbvio que duas pessoas provavelmente não teriam uma conversa dessas em uma festa. Eu mesmo nunca tive e, até onde sei, não conheço ninguém que tenha tido.

Normalmente, uma conversa prévia minha, em relação ao shibari, por exemplo, envolve:


  • Saber se a pessoa já conhece a prática e/ou se já experimentou antes;
  • O que gostaria de experimentar comigo;
  • Até que ponto prefere estar despida ou não;
  • Dependendo da amarração, onde posso ou não tocar e/ou brincar/estimular;
  • Se bebeu ou usou alguma droga antes da prática;
  • Às vezes questiono sobre lesões, às vezes não. Geralmente, lembro de perguntar caso haja algo que me faça lembrar disso (cicatriz, movimentação diferente, hematoma, visual diferente do comum, etc.) 

Acho que podem ver que faço uma investigação superficial bem razoável, que leva menos de 5 minutos. Ainda tem falhas? Sim. Muitas vezes acabo omitindo ou esquecendo de perguntar alguma coisa. Mas isso é algo que tenho trabalhado comigo mesmo pra melhorar.

Como disse ali em cima, esta seria uma situação ideal, onde duas pessoas perfeitamente conscientes de suas capacidades, gostos, problemas e habilidades, tendo uma conversa rápida sobre uma prática que desejam fazer juntos.

Creio eu, que se todas as cenas feitas em festas tivessem passado por, pelo menos, metade dessa conversa, muitos problemas teriam sido evitados.
Obviamente, diversos detalhes foram deixados de lado na conversa e estes vão depender da ESPIP. Caberá a ambas as partes terem conhecimento do que aquela prática requer como condição de segurança e questionar e avaliar as respostas para ir em frente ou não.

Então, siga o exemplo do Sr. FoDom e da SubEntendida, e tenha uma conversa minimamente detalhada antes da sua próxima cena ou prática com alguém desconhecido/pouco conhecido. E cobre isso da outra pessoa também. Se ela não se incomodar, provavelmente ambos terão momentos muito bons depois. Se se incomodar, já é um sinal de que não vale a pena...




Como não burlar o consentimento



Agora você fez tudo certinho, conversou combinou tudo bonitinho e tá indo fazer aquela cena linda, maravilhosa e fuderosa com aquela pessoa delicinha dos seus sonhos. Como garantir que você não vai fazer uma cagada "felomenal" e destruir tooooodo esse trabalho que teve até então?

Consentimento é uma coisa que é dada, mantida e quebrada ou retirada. Nosso objetivo agora é manter e não quebrar e, se fizermos tudo direitinho, provavelmente não será retirado. Então vamos lá.

Como em todos as instâncias da vida, começar muito rápido numa prática BDSM nunca dá certo. Então COMECE DEVAGAR E SUAVE. Aproveite o começo da cena pra ir estabelecendo, na prática, os parâmetros discutidos anteriormente com seu parceiro.
Use o começo da cena para criar uma conexão e avaliar o comportamento dele(a).

Conforme vai avançando na cena, vá perguntando sobre as sensações, e aproveite para trazer os estímulos verbais pro jogo também.

Agora a cena está pegando fogo, várias coisas estão acontecendo, várias sensações e respostas do corpo explodindo dentro de cada um. Mantenha a calma e o foco. Perder a mão aqui é muito fácil e pode trazer problemas sérios para ambos.
Daqui, podemos seguir para dois caminhos distintos:

1- Tudo fluiu bem, o clímax da cena veio, e a mesma acabou ali ou foi baixando até acabar na calmaria, ou;

2- O bottom pediu a safe/deu o sinal de que algo estava errado e precisava parar. Isto nos leva a 2 novas possibilidades:

a) Você interrompeu a cena na mesma hora e foi ver o que houve. E partiu pro aftercare;
b) Você não interrompeu a cena imediatamente.

No item 1, tudo correu bem e o consentimento foi mantido com sucesso. A pessoa pode - ou não - querer fazer uma cena com você novamente no futuro, por diversos motivos diferentes, mas, pelo menos na questão do consentimento, você sabe que não cometeu algum erro. 

No item 2-a, algo de errado aconteceu. Pode ser culpa sua ou não. Pode ser culpa do bottom ou não. Pode ser culpa de ambos ou não ser culpa de ninguém. Merda acontece. Mas você interrompeu a cena e partiu pro aftercare, o que é um bom sinal.
A pessoa pode - ou não - querer fazer uma cena com você novamente no futuro, por diversos motivos diferentes, mas, pelo menos na questão do consentimento, você sabe que não cometeu algum erro, ou se cometeu, tentou corrigir

No item 2-b, meu amigo, você fez bosta. Bosta grande. Errou feio, errou rude. Você quebrou a confiança da pessoa e, mesmo após a retirada do consentimento para a continuidade da prática (SAFEWORD), você continuou. 
Esta pessoa provavelmente nunca mais irá querer fazer uma cena com você.
E provavelmente todas as pessoas que ela conhece também não. 
E, de quebra, quem estiver assistindo a cena, também vai fugir de você como o 9 dedos foge da jaula.

Este consentimento perdido, com quase 100% de certeza jamais será recuperado. A confiança daquela pessoa em você foi pro espaço e o foguete não tem combustível nem pra dar uma pirueta. Então, não faça isso. Ou arque com as consequências.



Abuso

Hoje em dia, o conceito de abuso tem sido usado de maneira um tanto quanto leviana, mas vamos tentar botar os pingos nos is, pra podermos chegar a um ponto exato do que seria o abuso no BDSM.

Segundo o Dicionário Priberam:

a.bu.so
(latim abusus, -us)
substantivo masculino
1. Mau uso.
2. Uso excessivo. = EXCESSO
3. Desmando, desregramento.

a.bu.sar
(latim eclesiástico abusari)
verbo transitivo
1. Usar ou consumir de forma excessiva, errada ou inconveniente (ex.: ele abusa dos calmantes).
2. Ter relações sexuais com alguém sem o seu consentimento (ex.: foi acusado de abusar da rapariga).
3. [Brasil] Insultar.
4. Agir de forma a servir apenas os próprios interesses, mesmo se prejudicando outrem.


Bem, vimos que abuso seria, a grosso modo e, resumindo todas as definições (incluindo as do verbo abusar): ultrapassar ou fazer mau uso dos limites estabelecidos, podendo, ou não, levar a outra pessoa a sofrer algum prejuízo. 

Ora, sabemos que em todas as bases do BDSM (SSC, RACK, PRICK, RISCK. CCC), apenas uma coisa é comum e constante: CONSENTIMENTO. (Se você não sabe o que são as bases, leia AQUI)

Se fosse possível estabelecer alguma (ou algumas) regra universal do BDSM, certamente seria "Não deves falhar com o consentimento". Sério, pense em outras aí. Eu aposto com você, que, de alguma forma, tem relação com o consentimento. Se você pensar em uma que não tenha, me fala que eu escrevo aqui com seu nome.

...

...

...

Não conseguiu, né?

Pois bem, partindo do ponto de que o consentimento é "regra única" e é, como dito láááá no começo do texto "o ato de uma pessoa permitir que uma outra pessoa tenha ações ou relações de algum tipo com ela"; e que abuso é ultrapassar limites, a partir do momento em que alguém resolve parar a brincadeira, por QUALQUER motivo, caso o outro insista em continuar, ou pior, continue assim mesmo, forçando a barra, isso caracteriza um abuso. 

Quando limites impostos em negociação são ultrapassados sem que haja o desejo MÚTUO e o consentimento MÚTUO, isso caracteriza um abuso.

Um exemplo prático


O caso citado no começo do texto foi de um grande (talvez um dos 5 maiores nomes do shibari mundial). O cara é incrível e saca MUITO da técnica. Mas cometeu um erro gravíssimo. Durante um workshop, foi de dupla em dupla demonstrando uma amarração. 
Esta amarração específica, requer uma certa agressividade para que o objetivo dela seja atingido. Todos os participantes abordados por ele foram amarrados e soltos numa boa. A última pessoa, não. Ela, uma mulher lésbica, se sentiu sexualmente abusada durante a amarração por ter tido a cabeça deitada no colo dele (assim como foi feito com todos os outros participantes).

Esta amarração consiste em prender os braços da pessoa, com a corda passando por trás do pescoço, de modo que os braços fiquem completamente presos junto ao tórax, e a pessoa é derrubada e posta deitada no colo de quem a amarrou. O objetivo desta amarração é obter uma reação de fuga, como um início de Rape Play. Um Não-Consentimento Consensual.

Um debate gigantesco surgiu após ela recusar o pedido de desculpas dele e expor o caso online.

Onde foi que ele errou?

Apesar de todos os outros participantes estarem felizes e ansiosos por participarem ativamente em um workshop do mestre, em nenhum momento foi requisitado ou questionado a nenhum deles se topariam/queriam ser amarrados de qualquer forma que fosse. Apesar de todos terem topado e ficado satisfeitos, ele falhou ali.

Ela poderia ter topado e ficado feliz também? Poderia, claro. Mas ninguém teria se atentado para este detalhe do consentimento. 
E ela NÃO ficou nem um pouco feliz.

Como disse ali em cima, a reação esperada das pessoas à esta amarração é de luta e fuga. Como isto era esperado, ao se debater e tentar escapar, ninguém presumiu que houvesse incômodo, nem mesmo a parceira dela, que a conhece há anos, foi capaz de notar que havia algo de errado acontecendo ali. Muito menos o professor.

Muitos pontos foram levantados nas infinitas e acaloradas discussões nos fóruns, inclusive o de que ela DEVERIA ter dito claramente que não queria, já que foi a última da turma e viu o que tinha transcorrido até então, afinal, a segurança dela TAMBÉM é responsabilidade DELA.

Ainda assim, era de responsabilidade DELE questionar e pedir a autorização - dela e de todos os anteriores - para prosseguir com a amarração.

E qual o resultado disto tudo?
Por algum tempo, ele acabou desaparecendo do meio. Ameaças foram feitas, sugestões de que toda a escola de shibari e os ensinamentos oriundos desta escola fossem abandonados (o que seria, basicamente como apagar metade da história e das técnicas de shibari existentes), que ele fosse banido do meio, que não fosse mais chamado para eventos, workshops, aulas, filmagens e sessões de fotos. Em suma, que ele fosse completamente posto de lado.

Por diversos motivos, inclusive culturais, pode-se estabelecer uma certa "causa" para a falha dele, que ele se prontificou a avaliar e corrigir este problema em todas as interações a partir de então. 
No entanto, para boa parte da comunidade internacional de shibari, ele é um abusador e o dano e a mancha existentes sobre seu nome serão provavelmente irreparáveis.

Sacou o nível do problema?

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Escrever este texto foi bastante complexo. Me trouxe à mente a lembrança de inúmeras cenas que já fiz e, mesmo sabendo o que são cada uma das coisas citadas no texto, sabendo do que foi negociado, ainda assim, fica a pulga atrás da orelha: "Será que eu abusei do consentimento de alguém?", "Será que a atitude X que tive com fulana foi abusiva?", "Será que fiz aquilo do jeito certo?". 

Neste ponto, imagino como o tal mestre shibarista provavelmente se sentiu, após décadas de experiência internacional, com milhares de cenas públicas e privadas, tendo aprendido a praticar de um jeito, a interagir de um jeito, e um belo dia, descobre que, provavelmente, cometeu aquele erro em grande parte delas, sem que ninguém jamais o tivesse informado de que aquilo estava errado.

Pro bem ou pro mal, a situação serviu para que todos nós da comunidade nos atentássemos mais às nossas próprias interações e pudéssemos avaliar como agimos em cada uma delas. Nos desculparmos com as do passado, se possível, e prevenirmos a repetição do erro no presente e no futuro, tornando, assim, o meio BDSM um lugar mais seguro, divertido e prazeroso pra todo mundo gozar e ser feliz.


Beijo pra quem é de beijo, abraço pra quem é de abraço.
Nos vemos na próxima!












sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Impact play 104 - Cropping Básico (tala de equitação)

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Se você é mais detalhista, deve ter percebido que surgiu um novo botão na coluna aqui ao lado ------------------------------------->
Como todos sabem, a situação tá braba e escrever textos gasta um bom tempo (alguns podem levar mais de uma semana!) Então, se você gosta do blog (e acha que eu mereço), pode fazer uma doação e me ajudar a continuar postando e trazendo conteúdo de qualidade.


EDIT: O Mestre Ferreiro me alertou pra um detalhe: o nome correto do instrumento não é CHIBATA, e sim, TALA DE EQUITAÇÃO (alguns ainda chamam de chicote de equitação), então alterarei no texto todo e vou encurtar para "tala". Importante não confundir com as chamadas talas largas de couro semelhantes a paddles.

Continuando a série "Impact Play" (se você não leu os artigos anteriores, leia aqui: 101, 102, 103, Warm Up), o assunto deste post são as talas de equitação.

Se você já fez aquela busca básica no Google sobre esta ferramenta mega divertida, provavelmente, assim como eu, você deu de cara com zilhões de textos sobre a Revolta da Chibata. Não, este texto não tem nada a ver com isso. Prometo. (A menos que a sua brat se revolte e roube a sua chibata tala)

O QUE É CROPPING?


Cropping é o ato de utilizar um instrumento flexível, semelhante a uma vara (não, não tem nada a ver com Caning; isso virá no futuro, podem cobrar), mas com um pedaço ou uma tira de couro presa numa das extremidades.

Riding Crop é o nome da Tala de Equitação em inglês e é um instrumento bastante utilizado no meio equestre como forma de atiçar o cavalo a se locomover, por meio de toques. No meio equestre, é considerado um dos tipos de chicotes.

Talas de equitação são acessórios excelentes para aquecimento e punição genital. Lembre-se: não compartilhe os acessórios entre bottoms diferentes. A higienização perfeita é quase impossível e, a menos que exista uma certeza absoluta 100% garantida sem dúvida nenhuma de que nenhum dos dois vai transmitir nada prejudicial ao outro, é bom evitar para que ninguém saia da sessão com um cogumelo radioativo crescendo no meio das pernas.

A tala é dividida em 3 partes. Essas partes são:

Rod [ród](vara): é a parte principal da tala. Uma vara, geralmente de fibra de vidro, fibra de carbono ou alguma madeira flexível, como bambu, revestida por algum material como tecido, fitas, borracha ou couro;

Handle [rendou](cabo, punho): é a parte por onde o cavaleiro (no nosso caso, o Top) segura a tala. Reveste uma das pontas da tala, podendo chegar a atingir metade do comprimento total do instrumento e pode ser de couro, borracha, fitas para raquetes de tênis... Enfim, uma grande variedade de materiais que tornem a pegada confortável.
Geralmente vêm com uma fita ou alça acoplada, de modo que dificulte a perda durante a cavalgada, ficando pendurada no punho do portador;

Keeper [quíper](vou chamar de "guarda", mas não consegui achar o nome correto. Caso alguém saiba, por favor, me diga que eu edito isso aqui) EDIT: Mestre Ferreiro deu o toque. O nome é PONTEIRA. Vou manter o detalhe do final pq serve como explicação.: é a parte onde ocorre o toque com o animal (ou, no nosso caso, o bottom). É composta por uma tira ou uma placa, geralmente de couro, que cobre a ponta da vara, impedindo (no nosso caso, minimizando) que a pele do animal seja marcada pelos golpes.


Sim, fiz esse esquema no Paint. Tava com preguiça.


COMO ESCOLHER UMA TALA


Talas, apesar de bem simples, podem sofrer uma série de pequenas variações que irão alterar desde meras características estilísticas e visuais, até mudanças drásticas nas sensações que causarão (usei "drásticas" apenas em comparação de uma tala para outra, visto que em comparação com variações possíveis com um flogger, talas seriam "todas iguais").

Variações no cabo: podem gerar maior ou menor segurança para quem maneja o instrumento.

Espessura: Este é um fator que dependerá muito do tamanho da mão do usuário e como este se sente melhor. Há quem prefira cabos mais finos, outros mais espessos.

Comprimento: Aqui, um iniciante pode sentir bastante diferença. Alguém mais experiente, nem tanto. O cabo favorece um maior controle da tala devido à forma de movimentá-la para o uso (mais à frente). Sendo assim, cabos mais longos podem facilitar a mudança de posição da mão sem alterar tanto a pegada, o que favoreceria o controle àqueles que ainda não o tem. No entanto, como todo material para impact play, o caminho é treino constante, então isso pode ser facilmente sanado sem a necessidade de um cabo maior e, consequentemente, mais pesado.

Textura e material: Outro fator que vai depender de pessoa para pessoa. Cabos mais lisos podem ser mais escorregadios que texturizados. Cabos de borracha tendem a ser menos escorregadios que cabos de couro. Há quem prefira de um jeito ou de outro. Infelizmente, o único jeito é testar e ver qual te agrada mais.

Alguns cabos possuem alças e outros possuem uma terminação mais larga, apelidada de "cogumelo". Ambos os detalhes servem para garantir uma maior segurança ao cavaleiro de que a tala não cairá no chão durante a cavalgada. No nosso caso, isto é um tanto quanto desnecessário (mas a alça cai bem pra pendurar junto com os floggers).



 



Variações na vara: podem gerar mais velocidade ou flexibilidade.

Material:
  1. Fibra de vidro é, aparentemente, o padrão. Sua espessura varia de 5 a 8mm (em geral. Já vi aberrações de 10mm e coisas risíveis mais finas) o que dá uma boa média entre resistência e flexibilidade. Além disso, é bastante leve.
    (Momento $$$ jabá: As que eu fabrico, são feitas com fibra de vidro. Se quiser comprar, manda mensagem. Elas são baratinhas. Juro).
  2. Fibra de carbono também é usada, porém em escala muito menor, devido ao alto custo do material. É praticamente indestrutível e possui as mesmas características da fibra de vidro, sendo um pouco menos flexível e mais leve.
  3. Fibras naturais como bambu podem ser utilizadas, mas dependerão de uma construção mais robusta para reduzir a chance de fraturas, visto que, dependendo da força do impacto, a vara pode vir a quebrar e farpas podem ser ejetadas e causar ferimentos não planejados.
  4. Tubos de plástico são amplamente utilizados em talas de sex shop. Nem vou me dar ao trabalho de dizer pra evitar isso, né? Sério. Não compre. Se tiver uma, jogue fora.

Revestimento: É algo puramente estético. Podem ser utilizados tecidos trançados semelhantes a uma corda, couro, fitas (de cetim, de marcação, isolantes). Varia de fabricante para fabricante e vai do gosto do freguês.

Comprimento: talas normalmente medem até 75cm de comprimento, podendo ser muito menores, medindo cerca de 25cm, 30cm. Isso influencia no ganho de velocidade e intensidade possível do golpe (quanto mais longa, mais momento gera e atinge uma velocidade e intensidade de impacto maiores). Tanto as longas quanto as curtas são bem divertidas e podem ser usadas em conjunto ou alternadas para variação de sensações.






Variações no Keeper: Estas são as que farão a diferença para o que o bottom irá sentir.

Material:
  1. Geralmente é feito de couro natural. É bastante  macio (nas talas, que fique claro) e a flexibilidade pode ser extrema (balança de um lado pro outro) e bem pouca (ficando numa posição mais fixa). 
  2. Couro sintético é bem comum também, tendo as mesmas características do couro natural.
  3. Borracha. Esse é a verdadeira encarnação de satanás em forma de tala. É um material que não deforma, tem flexibilidade muito menor que o couro (dependendo da espessura) e tem, como característica intrínseca, a capacidade de produzir um sting (leia os textos anteriores se não sabe o que é isso) consideravelmente alto (Preciso fazer uma de borracha pra mim, hehehe).

Dizem que existem talas com keeper de tecido, mas eu nunca vi, então fica aí a lenda pra quem quiser investigar mais a fundo.

De modo geral, quanto mais rígido e/ou espesso o material, mais intensa será a dor provocada e, consequentemente, quanto mais flexível e/ou fino for o material, mais suave será o efeito causado.

Formato: Geralmente são de formato retangular, podendo ser uma peça única dobrada ao meio ou duas partes costuradas, totalmente ou não, uma à outra (essas variações não interferem em nada efetivo).
No entanto, quando saímos do formato quadrado, abrem-se as portas da Felicidade e o céu é o limite. Podem ser triangulares, circulares, em forma de coração, trapezoidais, com o formato do nariz esquisito da sua tia, enfim... muitos mesmo.

Comprimento: Keepers têm, em média, algo entre 4 e 6cm de comprimento. Os tamanhos podem variar e isso irá alterar diretamente a sensação no bottom, onde os mais curtos causam uma sensação de thud mais perceptível e mais longos irão "chicotear", provocando um sting mais proeminente.



Algumas podem ter adição de spikes, ter formatos muito loucos e diferentes... Enfim, o keeper é onde toda a criatividade pode surgir.




 




SEGURANÇA


Se você já viu a foto do "onde bater" no outro texto, segue em frente. Se não viu, clique AQUI e vá ver antes de seguir.

Já disse em outros textos, já disse nesse e vou dizer de novo:

ANTES DE BATER EM ALGUÉM, NÃO SEJA UM BOÇAL. TREINE. Muito. Muito mesmo... Mais um pouco... Isso... continua que um dia cê consegue dizer que sabe usar uma tala sem arrancar um olho alheio.

Você não gostaria que um imbecil pegasse uma vara e te batesse com ela de qualquer jeito, certo? Então não faça isso com seu bottom. Não estrague o brinquedinho.

Fora isso, volte no post sobre Flogging que fala disso também (AQUI) e veja os detalhes de segurança em geral (sim, você precisa se alongar para cropping também, acredite).

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E agora que você já está se sentindo uma bolinha de ping-pong pulando de uma página pra outra e já tem 464376439 janelas abertas no seu navegador, vamos à parte mais esperada (e decepcionantemente) a mais simples do post.



COMO USAR UMA TALA


Sim. Usar uma tala é MUITO mais fácil que usar um flogger. A menos que você tenha a capacidade motora de uma lombriga com Parkinson no frio, você consegue fazer isso funcionar bem rapidamente (sim, eu posso fazer piadinhas com Parkinson pq meu pai tem. Leve seu mimimi pro Casos de Família).

Essa explicação será dada usando um travesseiro, uma tala e a minha mão. Siga os passos direitinho pra treinar e em pouco tempo você pode brincar com bundas alheias (que permitirem, óbvio) por aí.

Segure a tala pelo cabo. Você pode tanto segurar com a mão fechada em volta do cabo quanto com o indicador esticado. Eu, particularmente, prefiro a segunda maneira para movimentos mais curtos, delicados e precisos; e a primeira maneira para golpes mais fortes.

                                    



Mantenha seu braço fechado, com o cotovelo flexionado a aproximadamente 90°. Isso significa: Cotovelo na costela, mão com a tala pra frente do corpo.



O movimento todo ocorrerá no punho. Você não precisa mexer o resto do braço pra causar impacto forte, ainda mais se a tala for longa (lembra das aulas de física, né?).

Treine em um travesseiro ou almofada que tenha padrões estampados mais ou menos do tamanho do keeper. Isso vai te fornecer um alvo bem delineado pra golpear repetidamente e treinar sua mira.

Comece mirando bem no meio do alvo. Depois na borda um pouco mais pra esquerda, depois pra direita, pra cima e pra baixo.



Ado, a-ado, dá com a tala no quadrado!





Pegue mais pra frente do cabo. Teste de novo o movimento. Sentiu a diferença? Repita o treino da almofada.





Com o tempo, você se habitua à sua tala e adquire mais confiança. Nessa hora, descanse. Assista a um episódio da sua série favorita e então, recomece do zero. Pratique por uns dias até você não errar (ou errar o mínimo possível, já que herrar é umano) e só então, passe do travesseiro para uma bunda de verdade.

Com o tempo e a prática, você pode começar a arriscar movimentar o cotovelo também para gerar mais impacto, apesar disso ser bastante desnecessário.



TALAS NO SENSATION PLAY

Talas não servem só pra bater, amiguinhos. Se você teve o (des)prazer de assistir aquela piada de mau gosto aquele filme "50 Tons de Cinza", deve ter visto que o brother multi-mega-milionário usava uma tala de um jeito bem diferente na songa monga que parecia atriz de Malhação.

Ele estava fazendo uso da tala para fazer carícias. E, sim, por mais que eu odeie admitir, esta parte foi bem representada no filme. Dependendo do material do keeper, ao deslizá-lo pelo corpo do bottom, passando pelas zonas erógenas e "massageando", pode-se obter várias sensações gostosas. Leves batidinhas podem ser combinadas com o deslizar para provocar sensações diferentes. Nessa hora, boa coordenação motora vem a calhar e usar a mão ou algum outro acessório para criar essa variação de estímulos pode ser uma explosão de prazeres (isso soou meio que... bordão do Faustão, né? "Uma explosão de prazeres, ô loco, bicho!")






O QUE NÃO FAZER COM SUA TALA


Você certamente já viu aquelas fotos lindas e fodásticas de uma Domme ultra gostosa segurando uma tala mais curvada que as pernas do Garrincha, né?
Pois é, não seja essa Domme. Isso vai danificar sua tala e, na melhor das hipóteses, deixar a pobrezinha toda torta. Talas são flexíveis, não dobráveis. Na pior das hipóteses, essa porra vai quebrar na sua mão e você vai ficar com cara de tacho. Isso se não rolarem farpas ou estilhaços encravados em alguma parte preciosa do seu corpo.



Lembra q eu falei láááá em cima que ia chamar o keeper de "guarda" (e acabei chamando de keeper mesmo o texto todo)?
Keeper significa, literalmente, guardador, protetor. Ele serve para proteger tanto a pele atingida do contato direto com a ponta da vara, quanto para proteger a ponta da vara do contato direto com qualquer coisa atingida. Isto significa que NÃO É PRA BATER COM O MEIO DA VARA, SEU ANIMAL!

Titio já disse que tala não é cane, então não improvise. Tala não é pinto. Você pode, finalmente, manter a promessa do "só a pontinha".

Guarde sua amiguinha sempre pendurada ou deitada numa gaveta para evitar que ela possa vir a empenar ou quebrar.




















É isso, pessoal. Pratiquem aí e divirtam-se.

Até a próxima!